14 jul

O “deserto brasileiro” Jalapão, em Tocantins, reúne rios, piscinas naturais, cachoeiras e muitas trilhas no mesmo lugar

Localizado no centro do Brasil, o Jalapão fica no estado de Tocantins. Os turistas que vão lá visitar, precisam sair de Palmas, primeiramente, a capital do estado. Considerado o “deserto brasileiro” por ficar exatamente numa área vazia de população e mais árida, este destino nos reserva paisagens maravilhosas e únicas, isoladas, diferenciando de muitos outros destinos de natureza no Brasil.

Serras do Jalapão (créditos: Renata Gimenes)

Serras do Jalapão (créditos: Renata Gimenes)

É uma viagem de muitas descobertas. Um Brasil intocável de paisagens bem diferentes do que estamos acostumados. São lugares selvagens, dunas douradas, poços, rios e nascentes borbulhantes. Amantes de natureza, com certeza, vão se deslumbrar com o local. Como poucos sabem, o estado de Tocantins pertence à região Norte do país e não Centro-Oeste, como muita gente ainda pensa. No meio do Cerrado, paisagens áridas e vegestações rasteiras fazem parte do cenário. Os famosos capins dourados, nascem em certa época, nessas vegetações rasteiras, fazendo do Jalapão, um local mais conhecido, devido a planta dourada que embeleza o artesanato brasileiro.

Entre a divisa da Bahia, Maranhão e Piauí, em uma área de 34.113 km², fica todo o Jalapão, no centro-leste do Tocantins. Não apenas pelas montanhas de areia que formam as dunas de até 30 metros que se movimentam aos pés da Serra do Espírito Santo, mas também pela densidade demográfica local que conta com ínfimo 0,8 habitante encontrado a cada km².

Porém, a maior inspiração desse destino de aventura não é só o Cerrado em si, mas também as águas de lá. Rios de todos os ritmos de Aventura, o principal o Rio Novo; poços de nascentes borbulhantes, no qual a pessoa quando entra não se afunda – fenômeno chamado resurgencia, além dos lindos córregos e cachoeiras, para visitação e banho.

A aventura começa quando precisa chegar no Jalapão. A dificuldade de acesso do Jalapão foi a grande responsável pela preservação deste santuário, onde de veredas virgens aflora água cristalina e abundante, formando inúmeros rios, em meio a uma paisagem árida e bela.

Estas condições proporcionam vida a uma diversidade incrível de animais e plantas totalmente adaptada a esta região do cerrado.

 Outrora o Jalapão era desafiado apenas por caravanas de tropeiros que atravessavam em viagens épicas este sertão bravio na direção do Vale do rio Tocantins. Hoje, a entrada de faz de jipes e grandes veículos 4×4, pois as estradas são todas de terra.

A região ainda conserva muitas das espécies típicas do cerrado, como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro e a capivara. Desacostumados a presença humana, eles são um tanto arredios e nada fáceis de ser avistados. A vegetação predominantemente é o cerrado, mas é possível encontrar grandes faixas de campos limpos e campos sujos. Por baixo da vegetação rasteira, o solo é constituído de areia, a mesma areia que forma as estradas de boa parte do Jalapão.

A principal porta de entrada da região é a cidadezinha de Ponte Alta do Tocantins, que está a 190 km da capital, Palmas, por estrada asfaltada. Dali em diante, só estradas de terra. Itinerários circulares usam a cidade de Novo Acordo, a 110 km de Palmas (também por asfalto) para entrar ou sair. A maior quantidade de atrativos está em torno do povoado de Mateiros, a 160 km de Ponte Alta (ou 240 km de Novo Acordo). Os povoados de Ponte Alta e São Félix do Tocantins (a 90 km de Mateiros e 150 km de Novo Acordo) também servem como base para visitar outros atrativos.

Eu fui convidada pela agência KORUBO, pioneira no destino Jalapão e que fornece a experiência no estilo de um safari africano. Com uma imensa jardineira como deslocamento para os passeios e acampamentos estruturado com grandes barracas e local para refeições à beira do Rio Novo. Porém, o número de visitantes continua pequeno, porque o acesso é difícil e não há hotéis na região. Somente pequenas pousadas nos vilarejos arredores.

O Jalapão é uma atração a parte para os aventureiros e amantes da natureza. Mas uma coisa deve ser explicada: não é igual uma Chapada ou Lençois Maranhenses. É bem diferente. É um cenário de Dunas, mais lagoas, rios e cachoeiras e paredões de chapadas, porém, num território árido, o Cerrado, com baixa vegetações e espécies raras e diferentes dos olhos dos visitantes. Estradas difíceis e arenosas, entre outras dificuldades. Tem que ser desbravado de off-road mesmo, não tem jeito!

transporte da Korubo para chegar ao Jalapão (crédito: Renata Gimenes)

transporte da Korubo para chegar ao Jalapão (crédito: Renata Gimenes)

A Aventura

Com chegada à Palmas, primeiramente. Lá me hospedei no Hotel Pousada dos Girassóis, para descansar. Se der, pode visitar a cidade com o pouco tempo livre. Ao amanhecer, seguimos de micro ônibus para o Jalapão que dá 300 kilômetros de percurso. Na cidade de Ponte Alta, onde almoçamos, trocamos o micronibus pela Jardineira OFF-ROAD, feita especialmente para os aventureiros do acampamento. De lá, pegamos estradas de muita areia até chegar no camp. No meio do caminho, paramos no Canyon de Suçuapara, local refrescante em meio a aridez do cerrado, com suas águas que escorrem por uma fenda entre as rochas.
 Final da tarde, chegamos no Safari Campi . Fomos alocados cada um em sua barraca, que tem estrutura de banheiro cada uma e jantamos e pernoitamos por lá.

Almoço em Ponte Alta, caminho ao destino esperado. (crédito: Renata Gimenes

Almoço em Ponte Alta, caminho ao destino esperado. (crédito: Renata Gimenes

 

O primeiro passeio foi descer de caiaque pelo Rio Novo, equipamentos cedidos pelo próprio acampamento da Korubo e seus guias, que nos acompanhou em toda trajetória. Um dos últimos rios de água potável do mundo, de aparência totalmente cristalina. O Rio Novo chama a atenção também pela natureza selvagem que o envolve e pelas belas praias que se formam ao longo de suas margens. Nas águas do Rio Novo, é comum a prática do rafting. Mas há espaço para outros esportes radicais, como a canoagem, rapel, bóia-cross (descida pelas corredeiras do rio em bóia individual) e acquaride (em que o esportista fica de bruços em cima da bóia).

Além do Rio, visitas à cachoeiras, lagoas, dunas, chapadões, e muitos outros atrativos, recheou todos nossos sete dias de duração do passeio. Abaixo, segue os principais atrativos de nossas atividades:

Depois do almoço no Camp (aliás quase todos nossos almoço são feitos pela equipe do acampamento que nos acompanha em todos passeios), outro cenário esplendoroso e único são as Dunas do Jalapão, de cores de areias alaranjadas. O percurso de caminhão para chegar até elas já é lindo e quando chega, fica mais inesquecível ainda. As dunas são formadas por enormes dunas de areia dourada (areia de quartzo), de até 40 metros de altura.

Imagine a sensação de andar por estas areias e contemplar o pôr-do-sol no centro de uma paisagem como esta. As dunas estão em constante movimento, guiadas pelos ventos. Ao seu redor fica a já citada Serra do Espírito Santo, de formação arenosa, cuja ação dos ventos causa sua erosão, originando as dunas. Tudo se completa formando uma paisagem esplendorosa.

Outro passeio terrestre, é a Trilha da Serra do Mirante, que fica na Serra do Espírito Santo, a principal atração do Jalapão. Dentro dessa Savana, grandes chapadas e Dunas enfeitam a beleza deste cenário. O cartão-postal da região, é uma elevação imponente que, através do processo de erosão (chuvas e ventos), dá origem às dunas que se formam aos seus pés. Existe na serra um mirante, de onde, após uma hora de caminhada em direção ao cume – de muita subida e trilha, é possível se ter uma visão privilegiada de toda a região. O topo da serra é uma grande área plana, que lembra uma imensa mesa elevada. É o local ideal para apreciar as paisagens e horizontes do Jalapão.

A paisagem é espetacular, tanto debaixo – antes da trilha, como de cima, depois de escalar a serra, com muito esforço – para alguns: eu no caso!!

As águas

Outros passeios do roteiro do Safari, são as atrações de águas. A Cachoeira da Velha está aberta apenas para visitação. Alimentada pelas águas do Rio Novo, ela é a maior cachoeira do Jalapão e uma das suas principais atrações. Nela, as águas correm em grande quantidade, despencando por duas quedas em formato de ferradura, cada uma com mais de 20 metros de largura. Um espetáculo imponente, em que a natureza mostra sua exuberância e toda a sua força. Porém, não dá para banho.

Cachoeira da Velha. Só contemplação (crédito: Renata Gimenes)

Cachoeira da Velha. Só contemplação (crédito: Renata Gimenes)

Bem próximo à Cachoeira da Velha existe uma prainha, de águas doces e mansas, cercada por matas de galeria. Sem dúvida, uma bela opção para o camping. A trilha para chegar da cachoeira à prainha é um atrativo à parte, de fácil caminhada, com paradas para descanso e contemplação. Fizemos esse passeio no penúltimo dia, quando saímos do acampamento em direção à Palmas, para nossa última pernoite no estado de Tocantins.

A mais famosa cachoeira da região é a Cachoeira do Formiga. É uma pequena queda d`água, cercada por uma vegetação exuberante, de árvores altas, samambaias e moitas de palmeiras nativas. Mas o espetáculo mesmo fica por conta da piscina formada ao pé da cachoeira, onde águas de um verde-esmeralda encantador convidam ao mergulho. Uma jóia onde é possível banhar-se e observar o fundo do poço, com areias calcáreas.

Outros atrativo bem famoso e que todos visitantes querem passer horas são os Fervedouros do Jalapão. Parece um oásis. Em meio à vegetação fechada, entre brejos e riachos, surge um lugar de rara beleza, cercado por bananeiras. Ao seu centro está um grande poço de água azul transparente – na verdade, a nascente de um rio subterrâneo. A água que brota das areias claras cria o fenômeno da ressurgência, que tornam impossível até o banhista mais persistente afundar. No Fervedouro, você vai divertir-se e conhecer a real sensação da leveza.

Como disse acima, depois da Cachoeira da Velha, há uma Prainha, local de linda beleza e uma maravilha para banhar-se. Após curtir a exuberância da Cachoeira da Velha, é hora de percorrer uma trilha de aproximadamente uma hora até chegar à prainha, um lugar bastante agradável, com sombra e águas doces e mansas, cercado por matas de galeria. É o momento para relaxar e refletir.

Essas entre outras atrações é o que colore o imenso destino do Jalapão. Local para aventureiros e amantes da natureza. Local onde muitos brasileiros e turistas ainda precisam conhecer melhor e explorar.

Capim Dourado

No final de um dia, a equipe da Korubo nos levou à cidade de Mateiros, para comprarmos os famosos artesanatos de capim-dourado, feito do famoso capim daquela região. Lindos cestos, colares, brincos, vasos, entre outros ardonos, pode ser encontrados nas lojinhas da cidade e região. Vale a pena adquirir peças dessa lindeza de adorno.

Serviços

Quando ir ao Jalapão? – o destino é recomendado visitação o ano inteiro. Entre maio e setembro é raro chover e a temperatura é ótima, entre muito céu azul. Para ver o capim dourado em seu estado dourado, deve ir em setembro.

O que levar? – Repelente, protetor solar, boné, óculos de sol, dinheiro vivo. Celular pouco se pega nas cidades perto do parque. E muita roupa de abrigo e confortável.

– Outra agência de viagens também faz esse passeio, com quase os mesmos passeios, mas inclui rafting e o povoado de Mumbuca, que produz os artesanatos com o capim dourado. É a Venturas Viagens (www.venturas.com.br)

Acampamento Korubo Expedições – Mais informações desse passeio da Korubo acesse: www.korubo.com.br – tel: (11) 4063-1502.

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